Consultoria norte-americana CB Insights aponta as tendências do setor para a próxima década. No Brasil, embora algumas mudanças possam ser observadas, mercado ainda passa por amadurecimento

Impulsionadas pelo avanço da tecnologia, diferentes setores da economia devem sofrer alterações significativas, nos próximos anos. Com o varejo, não será diferente. Recentemente, a consultoria norte-americana CB Insights apresentou um estudo para desvendar quais serão as principais novidades do setor na próxima década.

Oferecer novas experiências para os clientes é uma das tendências apontadas pelo estudo. Oferecer serviços para públicos específicos, como idosos, também.

E de acordo com a diretora executiva do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (IBEVAR), Patricia Cotti, isso já pode ser observado, inclusive no Brasil.

“Há algum tempo, investir em experiência era entendido somente como a necessidade de melhorar a ambientação das lojas ou os elementos de merchandising, mas uma nova realidade já pode ser percebida, especialmente nos grandes centros, onde as lojas investem em segmentação, por exemplo, para atender a clientes com necessidades e anseios específicos.

A automação também deve ser um componente mais visto nas lojas do varejo. No exterior, esse elemento começou a ser explorado mais cedo, porque a mão de obra é um pouco mais cara.

“Como o Brasil o custo com pessoas é menos elevado, não se observava esse movimento com a mesma força, até porque o varejo nacional sempre foi muito focado no atendimento. Mas isso já começa a mudar, também por aqui, pois as empresas do setor percebem a necessidade de investir em tecnologia para não serem percebidas como ultrapassadas pelo público. Nenhuma marca quer ser vista como velha”, explica Patricia.

“Além disso, hoje, quem frequenta uma loja quer receber atendimento, no momento certo. E a tecnologia deve ter um papel importante para garantir que isso aconteça, além de fornecer dados para garantir um atendimento customizado e oferecer o que é mais importante para cada pessoa, por exemplo”, complementa a diretora executiva do IBEVAR.

Logística também deve mudar

Nos bastidores do varejo, a área que deve sofrer mais alterações nos próximos anos é a de Logística. De acordo com a pesquisa da CB Insights, a tendência é que as empresas do setor invistam em microcentros de distribuição ou em pequenos depósitos, em locais urbanos.

No Brasil, segundo Patricia, mudanças profundas como essas, podem ocorrer com maior rapidez somente nas grandes cidades, uma vez que o país tem necessidades e ‘gargalos’ estruturais diferentes, de acordo com cada região.  

“Para se ter uma ideia, hoje, as maiores empresas varejistas representam 27% de todo o mercado, enquanto as pequenas e médias respondem por mais de 60% de tudo que é vendido no varejo. São realidades totalmente diferentes, que impactam diretamente na adoção de qualquer inovação ”

Patricia Cotti, diretora executiva do IBEVAR 

“Alterações significativas só ocorrerão de maneira uniforme quando nosso mercado estiver amadurecido. Hoje, ainda há uma demanda reprimida muito forte por produtos de primeira necessidade, que não chegaram a algumas regiões do País. Somente quando o varejo nacional superar essa etapa, poderemos ver tendências como as apontadas no estudo se concretizarem de maneira uniforme”, finaliza.

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