Mais do que habilidades técnicas, foco deve estar na flexibilidade para adaptações e no cuidado com a saúde emocional dos profissionais

As mudanças nas dinâmicas e no mindset foram aceleradas durante a pandemia de Covid-19, que convidou pessoas e empresas a reverem seus processos e culturas, em uma via de mão dupla de impactos no comportamento e nas relações humanas. Para a filósofa Lúcia Helena Galvão, professora na instituição internacional e sem fins lucrativos Nova Acrópole, o cenário evidencia a adaptação como palavra-chave e a saúde emocional como prioridade.

Segundo a especialista, o contexto mostra uma complexidade elevada com importantes interferências na vida das pessoas, o que demanda um olhar atento nas empresas por parte das lideranças, as quais também têm seus dilemas humanos.

Quebra de paradigmas: é preciso sair do “piloto automático”

Lúcia Helena argumenta que a crise que se estabeleceu nos últimos dois anos, entre muitas mudanças globais e no mundo do trabalho, representa “uma sentença de morte” a qualquer forma de automatismo.

“Com certeza, o chamado “piloto automático”, em um mundo onde a adaptabilidade é a palavra-chave, está com seus dias contados”, afirma a filósofa.

A observação trazida por Lúcia, quando atrelada, por exemplo, a uma nova realidade em que o chamado teletrabalho – ou trabalho remoto – foi estabelecido como alternativa possível e, depois, como tendência para o futuro, enfatiza o grau das mudanças de processos, forma de se comunicar, rotinas e hábitos.

Rupturas: olhar aos impactos pode revelar novas soluções

No que tange ao comportamento humano, ela comenta que “dificilmente as relações humanas on-line terão condições de substituir completamente a necessidade que temos uns dos outros”. Nesse sentido, ela traz algumas provocações reflexivas:

  • O que será dos profissionais que, de repente, se veem há mais de dois anos em uma situação de confinamento, com uma demanda constante de novos aprendizados, criatividade e iniciativa?
  • O que ele fará com seus hábitos anteriores?
  • E quanto aos mais velhos, como assimilar a necessidade de tantas mudanças ao mesmo tempo?
  • E como acompanhar este mundo digital?

Mais do que simples perguntas, essas questões podem levar à insights relevadores e resultarem em ações de inovação em prol do fator humano.

O que Lúcia Helena destaca é que, muito além das habilidades técnicas, os profissionais deste novo momento global terão que se tornar experts em cuidar de sua saúde emocional, também.  “De repente, uma pessoa de qualquer lugar do mundo pode se tornar um candidato à sua vaga”, seja você júnior, analista ou CEO.

Outro fator e que a corrida por novos aprendizados e atualizações constantes, claramente, tem invadido o tempo “livre” das pessoas e pode gerar mais solidão. “Não é simples se manter bem em meio a tudo isso, e será, também, uma preciosa habilidade a ser adquirida, junto com a necessária atenção à preservação do espaço de privacidade e dignidade”, enfatiza a filósofa.

Humanização de processos é crucial e permanente

No que tange à liderança e à gestão de pessoas com ética e respeito à diversidade dentro desse cenário que se modifica tão rapidamente, Lúcia Helena considera, sobretudo, da humanização de processos.

“Tenha uma previsão das necessidades humanas de seu pessoal”, frisa ela, sinalizando que muitas empresas já investem em terapeutas, práticas virtuais de atividades físicas ou, ainda, encontros sociais virtuais.

Que enfatiza a cautela nessa busca por inovação e criatividade em que os negócios se encontram, aspecto que pode se tornar uma pressão insuportável. Segundo a filósofa, é fundamental permitir aos colaboradores a “paz, pelo tempo necessário, para que sua vida pessoal não seja invadida e comprometida”.

Isso porque, toda demanda por novos aprendizados vai custar tempo de vida e é crucial ceder tempo também da parte do empregador para que isto aconteça. “Há que garantir que ele se sinta lembrado e tratado como um ser humano e, sobretudo, considerar que a saúde emocional do trabalhador deve ser uma preocupação e um patrimônio de todos.”

Algumas medidas que vão na direção das reflexões trazidas por Lúcia Helena Galvão ao blog da CISP:

Valorize talentos!

Outro ponto de alerta às lideranças é que o respeito à diversidade passa pela valorização, de forma concreta, dos talentos e característica de cada profissional. Este é um fator de impacto direto nas metas, projeções de carreira e sonhos das pessoas e, consequentemente, na entrega em suas funções e reflexos nos negócios.

“Mas, há que lembrar que não são todos iguais e de se dispor a ajudar o trabalhador a encontrar aquela atividade na qual melhor se enquadra”, comenta a filósofa.

Se você se interessa pelo olhar a partir da filosofia para o assunto, fica aqui uma dica de vídeo de uma palestra de Lúcia Helena Galvão:

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