Em entrevista ao blog da CISP, Marcelo Azevedo se mostra otimista em relação ao setor no segundo semestre, apesar da preocupação com insumos

A situação econômica pós-pandemia implica em entraves que os profissionais de Crédito e Cobrança e do Financeiro das indústrias precisam driblar para a tomada de decisões. Apesar dos desafios, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera que o setor superou expectativas.

“No começo deste ano, frente a todos os acontecimentos, as nossas expectativas variaram muito. No final das contas, a indústria mostrou uma resiliência maior do que estávamos esperando”, diz o gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo.

O especialista frisa que o setor de commodities ficou mais dinâmico com as oportunidades de exportação. Segundo ele, é possível vislumbrar um cenário mais positivo para o segundo semestre, com base em projeções de uma melhora do Produto Interno Bruto (PIB) Industrial.

Projeções são de crescimento e estabilidade

De acordo com o Informe Conjuntural da CNI – 2º trimestre 2022 –, embora a indústria siga enfrentando dificuldades, a projeção para o PIB Industrial passou de queda de 0,2% para alta de 0,2%. Quanto ao segmento agropecuário, a confederação prevê estabilidade (0%) ante alta de 1,3%.

Considerando a atividade mais forte na primeira metade de 2022, sobretudo no primeiro trimestre, a perspectiva da CNI em relação ao crescimento do PIB passou de 0,9% para 1,4% (em relação à edição anterior do Informe Conjuntural).

Adversidades: Covid-19, guerra e clima

Os acontecimentos mencionados por Azevedo são os que acompanhamos diariamente no noticiário internacional: pandemia e guerra e todas as suas consequências socioeconômicas.

Apesar das adaptações do setor industrial durante todo esse período de pandemia, é fato que a crise, desencadeada pela Covid-19 e agravada pela guerra gerada pela Rússia na Ucrânia, ainda terá desdobramentos incertos que exigem cautela e estratégia das empresas.

No que tange à pandemia, mais uma prova disso é o recente lockdown na China, em decorrência de um novo surto da doença, especialmente no que diz respeito ao fornecimento de insumos.

Em relação à guerra, Azevedo lembra que a situação afetou os custos de frete e de energia. “Trouxe incertezas que voltaram a pressionar, quando achávamos que seria o início de uma normalização.”

Para o segmento de indústria agropecuária, outro fator que se soma são os efeitos do clima, no início do ano, que impactaram no cultivo da soja e que foram mais longos do que o esperado.

Inflação alta é ponto nevrálgico

Para o especialista, “a inflação é, certamente, o maior desafio, o que não é fator exclusivo do Brasil, trata-se de um problema global”. Isso porque inclui um peso sobre a cotação de petróleo, alimentos e fertilizantes e, consequentemente, traz a alta dos preços de produtos.

“Neste segundo semestre há uma preocupação com a taxa de juros e inadimplência”, afirma o gerente de análise econômica da CNI, sinalizando possibilidade de freio no consumo neste semestre, que deve oscilar, mas não se reverter.

Retomada do emprego melhora o quadro

Outro ponto sinalizado por Azevedo com impacto positivo é a recuperação do mercado de trabalho, a partir do ano passado, que influencia nos rendimentos deste ano. “Ajudou muito na situação da indústria.”

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgada em junho, a taxa de desocupação ficou em 9,8% no trimestre encerrado em maio. Esta é a menor taxa para esse período desde 2015.

Novos fornecedores são alternativa para suprir insumos

Uma das preocupações cruciais do setor é quanto ao abastecimento com insumos das mais variadas áreas de mercado. “A indústria pode tomar algumas medidas, a principal delas é buscar novos fornecedores”, comenta o gerente de análise econômica da CNI.

A alternativa, porém, pode envolver alguns custos, além de desafios específicos de cada segmento, o que requer olhar estratégico das empresas.

Diante de todas as incertezas, ainda que com projeções positivas, é certo que a indústria deve apostar na resiliência, em busca de soluções inteligentes, locais e sustentáveis.

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