Investir no bem-estar dos profissionais gera engajamento, reduz a rotatividade e aumenta a produtividade das companhias

A humanização e o bem-estar dos profissionais nas empresas têm ganhado relevância considerável nos últimos anos. O número de companhias a adotar um modelo de desenvolvimento focado nas pessoas vem crescendo em todo o mundo, inclusive, no Brasil. Mas o que é uma empresa humanizada?

A humanização empresarial é um conceito baseado em medidas que elevam a satisfação dos colaboradores e a felicidade no trabalho, fatos que contribuem para ambientes mais harmônicos e saudáveis.  

O objetivo é proporcionar um ambiente que acolha o trabalhador, considerando suas particularidades, história de vida, desejos, dificuldades e expectativas.

Por meio da escuta ativa e de adaptações, a empresa passa a proporcionar um local de maior flexibilidade e suporte emocional. A gestão humana aproxima os líderes dos colaboradores, criando laços de confiança e companheirismo na equipe. Logo, todos passam a desenvolver qualidades como a valorização da diversidade, a empatia e o respeito.

Segundo Marco Fabossi, o sócio-diretor e coach de líderes da Crescimentum, empresa de educação corporativa, a humanização das empresas deixou de ser uma tendência e tornou-se uma necessidade.

“Não podemos mais ignorar o fato de que o mundo mudou. Cada vez mais as empresas precisam de pessoas que tenham empoderamento, coragem de arriscar, inovar e expor suas ideias para que as organizações consigam desfrutar de novas alternativas e alcançar o volume de mudanças que o mercado tem apresentado. Mas isso só acontece se as pessoas estiverem inseridas em um contexto com maior humanização, vulnerabilidade e confiança”, ressalta Fabossi.

Empresas humanizadas lucram mais

Ao melhorar o clima interno, as companhias ganham com o engajamento dos trabalhadores, retenção de talentos, aumento de produtividade e lucros.

É o que mostra o estudo intitulado Empresas Humanizadas no Brasil, realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), campus de São Carlos. Organizações que seguem essa linha têm um faturamento maior em comparação às instituições de gestão convencional.

O levantamento analisou corporações de diversos segmentos que adotam a gestão humanizada em um período entre quatro e 16 anos. Concluiu-se que, após a mudança da cultura organizacional, foi observada uma rentabilidade duas ou mais vezes maior à média das 500 maiores companhias do País.

Ainda segundo a pesquisa, essas empresas conseguem ter uma satisfação 240% superior junto aos seus clientes, e 225% de aumento no bem-estar entre os seus funcionários.

A diretora de Recursos Humanos da Embelleze, Sandra Ribeiro, explica que isso acontece porque há uma mudança de filosofia. “Cada vez mais as pessoas trabalham com e não para a empresa. Por isso, há resultados com a alta performance, maior fit cultural – capacidade de uma pessoa de se adaptar aos valores e propósitos de uma companhia -, além do constante aprendizado”.

Sandra Ribeiro, diretora de Recursos Humanos da Embelleze (associada CISP), fala em uma mudança de filosofia nas companhias


Fabossi concorda e ressalta que muitas organizações levam em conta apenas os objetivos finais, não o processo. “Isso faz com que as corporações conquistem ganhos pouco duradouros e encontrem dificuldades para se manterem no mercado. Então, se quisermos resultados sustentáveis e perenes, precisamos cuidar dos números e, também, das pessoas que fazem as entregas”.

Como adotar a gestão humanizada?

Observar as necessidades dos colaboradores e da empresa – Fazer uma espécie de anamnese de todas as partes envolvidas é fundamental para iniciar a humanização empresarial. Descobrir e entender melhor os objetivos, metas e sonhos dos colaboradores e da corporação é o primeiro passo a ser dado.

É preciso analisar se o colaborador possui os materiais necessários e adequados de trabalho, como um bom computador, equipamentos seguros e atualizados. Certificar-se se a ergonomia está sendo contemplada, se o espaço laboral é iluminado e confortável para trabalhar – seja presencial ou home office, e até oferecer formas de organizar o fluxo do dia a dia. Plataformas online, post-its, planners e até lousa de planejamento podem fazer a diferença na rotina dos profissionais.

“Investir em ambientes diversos, ter uma cultura de cooperação e de humildade intelectual são essenciais. Os modelos de trabalho híbrido também vêm ganhando cada vez mais espaço após a pandemia. Isso vem impactando diretamente no bem-estar, satisfação e na felicidade das pessoas, resultando em maior criatividade e inovação por parte dos profissionais. Esses fatores devem ser considerados pela empresa para alcançar e manter uma cultura de bons resultados”, destaca Sandra.

Comunicação e integração entre líderes e equipes – A liderança tem um papel imprescindível na construção de um ambiente humanizado. Portanto, os líderes precisam encontrar formas de ter mais proximidade com as pessoas ao redor.

“É aquela máxima: “Estar perto é geografia, estar próximo é escolha”. E é exatamente por isso que a liderança precisa escolher estar próximo, conhecer e se deixar conhecer. Precisamos que o líder desça do pedestal e mostre para o time que ali tem um ser humano também, com defeitos e qualidades, mas que, acima de tudo, está focado em atender as necessidades da equipe sempre que for possível”, aponta Fabossi.

Construir um ambiente com segurança psicológica também é indispensável, pois só assim as pessoas se sentirão respeitadas, aceitas do jeito que são e possuirão autonomia para desafiarem a forma como as coisas são feitas.


“Os profissionais devem sentir que são respeitadas, pertencem à empresa, que são peças de uma engrenagem e fazem a diferença em sua equipe. Isso traz motivação”, complementa Sandra.

Valorizar a saúde e o bem-estar – Em uma gestão humanizada é essencial delimitar claramente o horário do trabalho e do descanso, e estabelecer mecanismos para acionar o colaborador, como celular institucional e o WhatsApp Business. Com isso, é possível separar vida pessoal e profissional, garantindo mais equilíbrio para o dia a dia.


Dar espaço para que os compromissos pessoais dos colaboradores aconteçam sem interferência também é importante. Estabeleça algumas horas flexíveis durante a carga horária semanal para serem utilizadas em saídas para acompanhamentos médicos ou reuniões escolares dos filhos. Ofereça alguma forma de compensação desse horário para que o trabalho não seja prejudicado, mas não deixe de cooperar com o bem-estar da equipe.

Investir no conhecimento do profissional, com cursos e treinamentos, é outro elemento indispensável.

Gestão humanizada é considerada investimento

De acordo com Sandra, o custo de humanizar uma empresa é baixo se todos os benefícios trazidos pela mudança forem colocados no papel, principalmente porque motivadas e engajadas produzem mais.

“Colaboradores mais felizes, reconhecidos, que se identificam com os valores da empresa refletem na entrega de melhores serviços e produtos. Um estudo da Harvard Business Review, de junho de 2022, revelou que colaboradores mais felizes são 31% mais produtivos, 85% mais eficientes e 300% mais inovadores”, frisa Sandra.

Outro ponto essencial é a sustentabilidade da organização. O clima positivo potencializa a geração de resultados melhores, destacando e mantendo a empresa no mercado.


“Hoje se fala muito sobre absenteísmo. Mas quando não há humanização nas Relações, o presenteísmo aparece nas organizações. Isso significa ter pessoas visualmente presentes, mas que estão desmotivadas, desconectadas e não estão com vontade de contribuir. Por isso, humanizar a empresa significa mudar para crescer”, conclui Fabossi.

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