Fique atento ao que tem mudado na concessão de crédito e como o seu crescimento pode afetar diretamente empresas e funcionários

Com uma das piores crises da saúde mundial, vem também um desafio: a sobrevivência das empresas e de seus funcionários durante a pandemia. Com muitos comércios fechados e outros abalados pelo período, manter um negócio funcionando tornou-se uma missão impossível para alguns empreendedores. Custos administrativos, com mão de obra e impostos não chegam na mesma velocidade do lucro. 

O cenário não é apenas desanimador para empresários. Segundo a pesquisa PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE, de setembro a novembro de 2020, a taxa de desemprego atingiu 14,1%, totalizando 14 milhões de brasileiros. Uma das saídas para o cenário tem sido o empreendedorismo, que em 2020 fechou com o maior índice de sua história. Segundo artigo do Sebrae para o G1, foram 1,49 milhão de novas formalizações de março a dezembro de 2020, totalizando 30% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. 

Com tamanha crise em vigor, uma das medidas de contenção é a concessão de crédito, que, somente em 2020, cresceu em 18,8% (Revista Forbes), sendo 27,6% para pessoas jurídicas e 11,4% para pessoa física. Investimentos como esse visam postergar o fechamento definitivo de algumas empresas, que, ao menos em curto prazo, poderão continuar com suas operações. 

Mesmo com esse aumento da concessão de crédito para algumas modalidades, os esforços não têm sido suficientes. Quem vem sofrendo com essa rigorosa política de concessão são os pequenos e micro empresários, fatia que cresceu em 13,23% durante a pandemia. O Pronampe – Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, direcionado a esse público, foi interrompido em dezembro de 2020. De lá pra cá, muitos comércios e empresas de serviços fecharam as portas.

Decisões mais conservadoras são um movimento natural do mercado 

De acordo com o Professor Olavo Borges, formado em Administração de Empresas, com pós-graduação em Administração Contábil e Financeira pela FAAP, mestre em Contabilidade pela FEA/USP e especialista pela Credit Risk Management na New York University, é natural esperar que o mercado tenha se retraído e, no momento da decisão pela concessão, algumas fórmulas se tornaram mais rígidas e conservadoras. “Quando há deterioração da economia, o crédito retrai. É um movimento natural do mercado. Face às incertezas, as análises e decisões de crédito tornaram-se mais conservadoras. As decisões automatizadas em sistemas deram lugar às análises julgamentais, feitas caso a caso”, afirma Borges.

É clara a necessidade de uma nova rodada do Pronampe, porém a Lei do Orçamento tem barrado o programa, já que é necessário prestar contas da fonte do montante destinado aos financiamentos. Em entrevista, o Presidente do Senai, Carlos Melles, expõe que com o crescimento da procura por crédito, é necessário um aumento drástico de concessão para que existam melhoras efetivas no setor: “Antes da pandemia, 50% procurava crédito, outros 50% não buscava. Dos que procuravam crédito, apenas 8% conseguiam. Hoje esse número dos que conseguem é de 28%. Melhorou, mas ainda não é satisfatório”, comentou Melles em sua entrevista.

As transformações na macroeconomia e hábitos de consumo

A crise econômica provocada pela pandemia não floresceu apenas no Brasil, e o choque causado pela COVID-19 afetou os setores da economia de forma diferente, a exemplo do comércio que, com inúmeros desafios, encontrou uma saída nas vendas pela internet como forma de manter o fluxo de caixa.

Com o lançamento do PIX e o uso dos cartões de crédito, as pessoas continuam tendo acesso ao comércio online, que antes se tratava apenas de uma derivação das lojas físicas. Com o fechamento das lojas pelas medidas de restrição para contenção do avanço da COVID-19, as lojas virtuais tomaram lugar no centro de consumo. Segundo o E-commerce Brasil, o aumento do uso da modalidade durante a pandemia foi de 30%, e esse número tende a continuar crescendo mesmo pós-pandemia, já que grande parcela das empresas migraram parte de suas operações para o e-commerce.

Quando houve uma compreensão do impacto causado pelas transformações da crise pandêmica, pode-se ter uma noção mais ampla das consequências e das oportunidades, como explica Olavo Borges: “deu para enxergar os seguimentos mais afetados, como também aqueles que seriam alavancados com a nova condição de convívio social. Enquanto os serviços de alimentação como bares, restaurantes, lanchonetes foram fechando, o comércio de alimentos foi se concentrando em supermercados. Com o home office em ascensão, o comércio eletrônico de móveis e utensílios de escritório ganharam força, pois as pessoas tiveram que adaptar suas residências para longas horas de trabalho”.

Seja por conta das transformações sociais e econômicas prementes de hoje, ou de consequências ainda desconhecidas, a maior crise sanitária vivida pela humanidade nos últimos 100 anos trouxe mudanças nos mais diversos níveis da sociedade, da forma como nos relacionamos à forma como consumimos. Tais mudanças, além de adicionar uma nova camada de complexidade à atuação dos gestores e analistas de crédito, trazem consigo uma importante reflexão: como devemos nos preparar para agir no importante, e necessário, movimento de reconstrução e retomada que está por vir?

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