A economista abordou perspectivas e desafios para a economia nacional e, consequentemente, para as empresas brasileiras

Com foco em contribuir para a visão de mercado e estratégia nos negócios das associadas CISP, a associação promoveu um webinar com a economista Zeina Latif, que possui doutorado na área e atuou em grandes instituições bancárias. A palestra on-line fez parte da programação da 86ª Assembleia Geral Ordinária, realizada em março, e abordou o cenário econômico e as perspectivas para 2022.

“Nosso objetivo foi trazer um olhar específico para esse tema de extrema importância para as empresas”, comentou a presidente da CISP, Eliane Marcia Antonio Ferlin, gerente financeiro da associada Frimesa.

Economista fala em “quadro delicado” para o Brasil

Zeina iniciou a palestra abordando as expectativas dos analistas em relação a 2022, que, de acordo com ela, estão mais condizentes com a realidade que deve se apresentar na economia nacional, diferentemente do ocorrido em 2021, quando havia otimismo demasiado. Ela considerou também as interferências globais, como foi com a pandemia e tem sido com a guerra provocada pela Rússia na Ucrânia.

“O mercado estava minimizando os riscos de inflação e de aumento de taxa de juros. Hoje as estimativas estão mais alinhadas ao cenário”, afirmou a especialista, que sinalizou incertezas em relação aos patamares do Produto Interno Bruto (PIB) e taxa básica de juros (Selic).

Estagnação pós-pandemia é desafio

Na visão de Zeina, a economia deve caminhar este ano para uma recessão moderada por conta da combinação de juros altos e de baixo potencial de crescimento do PIB. Apesar da previsão negativa, há ressalvas. “Não é uma recessão como a de 2014, mas é um quadro delicado”, disse ela, que considera que a tendência é o Banco Central aceitar a inflação mais alta e não gerar um choque maior de juros na economia.

A economista explicou que o país tem um quadro de estagnação neste pós-pandemia que tira a visibilidade das empresas e que já vem de um cenário econômico enfraquecido de antes da crise sanitária, o que aumenta os riscos.

Contextos globais interferem mesmo em economias fechadas

Embora o Brasil seja considerado um país de economia bastante fechada para o comércio mundial – do ponto de vista de barreiras tarifárias e não tarifárias –, os ciclos do panorama internacional provocam impactos inevitáveis à economia nacional.

Há uma tendência de acomodação do comercio mundial, depois de uma ‘recuperação em V’ – retomada intensa depois de uma queda acentuada –, que por sua vez foi causada pela ação dos bancos centrais elevando a liquidez do sistema e pelos incentivos fiscais dos governos. Todo esse contexto acentuou o descompasso entre oferta e demanda, alimentando a inflação, mas com as peculiaridades de cada país. Países que adotaram mais estímulos econômicos sofrem mais com a aceleração da inflação.

Estímulos em excesso e seus impactos

“A inflação que vemos no mundo é, sim, resultado de erro de calibragem da política econômica com estímulos em excesso”, afirmou Zeina, que considera esse o caso de países como Estados Unidos e Brasil. “Não existe milagre. É preciso política pública bem-feita para calibrar.”

Segundo a especialista, é estratégico mudar a visão trazida pelas agendas protecionistas em relação à globalização, que não deve ser vista como algo que apenas penaliza, uma vez que, “no agregado, é algo benéfico e que pode contribuir para a redução de desigualdades em países de desenvolvimento”, além de trazer maiores ganhos de produtividade no mundo.

Queda da inflação deve ser lenta

Em meio a todos esses contextos diversos, Zeina fala da perspectiva de uma queda lenta da inflação no Brasil, que demanda taxa de juros elevada por mais tempo. Esse quadro de deterioração do ambiente macroeconômico exige mais esforço dos agentes econômicos.

Os riscos para a inflação, com influência da guerra e reflexos de dois anos de pandemia, pressionam os preços do atacado, de insumos e, consequentemente, de toda a cadeia de negócios, o que requer estratégia e planejamento das empresas.

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